Por que a gestão de projetos de engenharia precisa de líderes com conhecimento técnico
- Amir Issa
- 14 de jul. de 2025
- 4 min de leitura
Você confiaria a gestão de um contrato milionário de engenharia a alguém que não entende engenharia? Essa pergunta pode parecer óbvia, quase retórica, mas a verdade é que essa situação ocorre com mais frequência do que imaginamos. Todos os dias, contratos de grande porte, tanto no setor público quanto no privado, são conduzidos por profissionais que, apesar de qualificados em outras áreas, não possuem o conhecimento técnico necessário para tomar decisões estratégicas sobre projetos altamente complexos.
O resultado desse desalinhamento entre conhecimento e função é retrabalho, desperdício de recursos, cronogramas estourados, orçamentos comprometidos e, em muitos casos, risco real à segurança e ao funcionamento daquilo que está sendo construído ou reformado.
Este artigo é um convite à reflexão e, sobretudo, à valorização da liderança técnica nos projetos de engenharia. É hora de compreendermos que bons líderes não são apenas bons gestores. Eles precisam entender o que estão liderando.

Quando a gestão não entende a técnica
Imagine um hospital sendo construído com um sistema hidráulico mal dimensionado porque o gestor priorizou o preço mais baixo em vez de ouvir o engenheiro responsável. Ou uma ponte com um cronograma acelerado por pressão política, ignorando alertas da equipe técnica sobre riscos estruturais. Esses são apenas dois exemplos entre tantos que ocorrem por conta de decisões mal informadas.
O problema começa quando cargos de liderança são preenchidos exclusivamente com base em critérios administrativos, políticos ou de conveniência. Não se trata aqui de desvalorizar o conhecimento gerencial ou a experiência em administração. Pelo contrário, a gestão é fundamental. Mas em projetos de engenharia é preciso mais do que saber planejar cronogramas, analisar custos ou conduzir reuniões. É preciso saber interpretar laudos técnicos, compreender diagramas, identificar falhas em projetos executivos e avaliar riscos com base em dados concretos da engenharia.
Quando a liderança desconhece esses aspectos, ela se torna refém das informações fragmentadas que recebe. E isso é perigoso.
O preço do retrabalho
Um dos maiores vilões dos projetos de engenharia mal geridos é o retrabalho. Refazer uma etapa que já havia sido concluída representa mais do que perda de tempo. Significa desperdício de mão de obra, materiais, equipamentos e dinheiro público ou privado.
Retrabalhos costumam surgir quando a gestão ignora alertas técnicos. Por exemplo, ao antecipar a concretagem de uma laje antes da cura adequada das armaduras, ou ao contratar empresas com preços irreais sem considerar a viabilidade técnica da proposta. O resultado é atraso e frustração. Em casos mais graves, estruturas inteiras precisam ser demolidas e reconstruídas.
Muitas dessas falhas poderiam ser evitadas se quem toma as decisões tivesse o conhecimento necessário para avaliar corretamente os alertas e relatórios apresentados pelos engenheiros. Ou, melhor ainda, se o próprio engenheiro estivesse na posição de liderança.

Engenheiros também são líderes
Durante muito tempo, engenheiros foram vistos apenas como profissionais técnicos, excelentes para projetar, calcular e construir, mas distantes da estratégia e da liderança. Essa visão precisa mudar.
A formação em engenharia desenvolve uma das capacidades mais valiosas para qualquer gestor. O raciocínio lógico estruturado, baseado em dados, evidências e análises. Engenheiros são treinados para pensar em soluções, planejar cenários, administrar riscos e otimizar processos. Essas habilidades são completamente alinhadas com os desafios de gestão.
Quando um engenheiro assume a liderança de um projeto, ele traz para a mesa uma visão integrada que combina técnica e estratégia. Ele entende que cada parafuso, cada tubulação, cada escolha de material tem impacto direto no custo final, na durabilidade da obra, na segurança das pessoas e na eficiência operacional.
Além disso, engenheiros que se preparam para cargos de gestão desenvolvem outras competências essenciais, como liderança de equipes, comunicação eficaz, negociação e tomada de decisão sob pressão.
Liderar é mais do que mandar
Muitas vezes, liderança é confundida com status ou poder. Mas um verdadeiro líder é aquele que assume a responsabilidade pelo sucesso do projeto e pelo bem-estar da equipe. Ele ouve, orienta, aprende, se posiciona e, principalmente, conhece o que está fazendo.
Quando engenheiros assumem cargos de liderança, eles não apenas tomam decisões mais conscientes como também valorizam e respeitam o trabalho dos colegas técnicos. Eles compreendem os desafios do canteiro de obras, sabem a importância dos detalhes e reconhecem o papel de cada profissional envolvido.
Essa combinação entre conhecimento técnico e visão estratégica cria um ambiente mais colaborativo, eficiente e seguro.
O papel das organizações e instituições
Se queremos mudar esse cenário, é preciso que empresas, órgãos públicos e instituições acadêmicas incentivem a formação de engenheiros gestores. Isso começa com programas de capacitação, continua com a abertura de oportunidades reais para assumir posições de liderança e se consolida com uma cultura organizacional que valorize o conhecimento técnico na tomada de decisão.
Além disso, os próprios engenheiros precisam buscar o desenvolvimento dessas competências. Cursos de gestão de projetos, MBAs, especializações e experiências práticas são caminhos possíveis para ampliar a atuação sem abandonar a base técnica.

O futuro da engenharia depende de líderes preparados
O mundo está passando por transformações profundas, impulsionadas por novas tecnologias, mudanças climáticas, desafios urbanos e demandas cada vez mais complexas da sociedade. Nesse contexto, a engenharia assume um papel central. Mas, para que ela cumpra sua missão, precisa de lideranças preparadas.
Lideranças que saibam unir conhecimento técnico e gestão estratégica. Que entendam o impacto de cada decisão no orçamento, no cronograma, na segurança, no meio ambiente e na vida das pessoas. Que respeitem os fundamentos da engenharia e saibam traduzi-los em ações eficientes e sustentáveis.
Chegou a hora de valorizar quem faz essa ponte entre o saber técnico e a capacidade de liderar.
Porque construir com qualidade começa por liderar com responsabilidade. Este conteúdo foi elaborado com o apoio de inteligência artificial para garantir clareza e relevância na abordagem do tema.



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